1º Encontro Nacional de Contadores de Histórias da Unicamp

Postado em 20. set, 2017

O 1º Encontro Nacional de Contadores de Histórias da Unicamp aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de agosto e reuniu mais de 280 participantes, vindos de 47 cidades de diversos estados brasileiros, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Paraná, sendo a maioria do estado de São Paulo e da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

O encontro de três dias teve programação variada para os interessados na arte de contar histórias. Segundo a idealizadora do evento, Elaine Cristina Villalba de Moraes, os contadores de histórias vêm ocupando cada vez mais espaços na sociedade contemporânea, seja pela importância cultural, seja por contribuir com a formação de novos leitores ou por ser um entretenimento cativante e alternativo ao tecnológico-digital. A atividade que tem estado presente no dia-a-dia das escolas, bibliotecas, livrarias, empresas privadas e tantos outros lugares recebe atenção da Universidade Estadual de Campinas. Através dos projetos de extensão a Universidade dirige seu olhar para esta forma de saber cultural, uma vez que há alunos da instituição atraídos pela atividade, e que há na sociedade muitos contadores de histórias e pessoas de diversas áreas que estão em busca de mais conhecimento sobre o assunto. Foi com esse olhar que a programação deste primeiro encontro nacional de contadores de histórias da Unicamp foi pensada. O encontro mobilizou os funcionários da Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC), por vários messes na organização e contou com mais oito alunos de bolsa Papi/SAE para serem monitores do evento durante as atividades. Além disso, muitos apoiadores contribuíram para a realização do evento, como SESC, Editora da Unicamp, Editora Paulinas, Biblioteca Central, Faculdade de Educação, CDC, GGBS, Prefeitura do Campus, Sanasa, entre outros.

O primeiro dia do fórum “Contadores de Histórias, Múltiplas Vozes, Cultura e Interfaces” contou com a presença de professores, escritores e contadores de histórias que proporcionaram a reflexão e ampliação de conceitos e fundamentos sobre a arte. O público se encantou com a docente da Unicamp, Márcia Strazzacappa, que, personificada de Dona Clotilde, falou sobre o uso do corpo e da voz, cujo domínio é essencial para o contador de histórias, bem como sua imaginação e criatividade para dar vida a objetos. Segundo a professora, a história tem o poder de curar as pessoas. Kelly Orasi, uma contadora reconhecida na arte, com a metáfora do par de sapatos que já percorreu muito chão e tem muita história para contar, foi mestra ao falar sobre a formação de contadores, e defendeu que o contador de histórias não tem um perfil único e não pode ser considerado unicamente por cursos de formação, pois é possível reconhecer um contador pela sua arte com identidade própria, e, embora se aproprie de histórias de outros contadores, cada qual tem seu percurso e o seu tempo para ser reconhecido como tal.

Tivemos a presença de Marcos Baraldi, Diretor da ONG “Griots, os contadores de histórias”, que atua com contadores voluntários em hospitais da rede pública de Campinas e região. Emocionou a todos com imagens do trabalho e convidando a participar dessa história de doação.

A aluna Laura Tomé do curso de Artes Cênica da Unicamp, juntamente com a Trupe Alumiada, apresentou e encantou o público com a lenda mais famosa de Barão Geraldo: “O Bois Falô”.

À tarde, os escritores Ikechukwu Sunny, da Nigéria, e Ilan Brenman compuseram a mesa 2 e o assunto foi literatura infanto-juvenil, a importância da oralidade na tradição africana para a educação e formação das crianças e, também, sobre o politicamente correto nas histórias, na visão do escritor do famoso livro “Até as princesas soltam pum“, não é ouvindo canções como “Atirei o pau no gato” ou “Boi da cara preta” que a criança violento ou corrupto. É justamente por não ouvirem e não viverem as fantasias das histórias que as crianças ficam mais expostas e propensas à violência. Para ambos conferencistas, faz parte da formação do sujeito ouvir histórias com todas as personificações humanas sem omitir as verdades que são reveladas nas ficções narrativas.

Para finalizar o fórum, o ator e contador de histórias Amauri de Oliveira falou sobre a Associação Confraria do Conto que atua na formação e difusão do trabalho do contador de histórias a mais de 10 anos fazendo de Santa Barbara D’Oeste um polo Nacional de Contadores de Histórias em conjunto com a Secretária de Cultura da Cidade. Com Camila Genaro, conhecemos o seu jeito de contar uma boa história e sobre a Academia Brasileira de Contadores de Histórias com sede em Florianópolis – SC, que tem o desejo de incentivar as ações dos contadores de histórias com representantes de várias regiões do pais.

O segundo dia foi repleto de atividades, começando com duas palestras importantes: “O contador de histórias e a descoberta da literatura na infância” com Rosana Mont’Alverne , na Biblioteca Central e “A comicidade no contar de histórias” com Ulisses Júnior, na Casa do Lago, ambas lotaram os auditórios e foram muito bem apreciadas pelos presentes.

Um dos grandes objetivos de encontro são as trocas de experiências. Para isso a atividade “Folclore vivo no campus”, aproveitando que agosto é o mês do folclore brasileiro, os contadores d histórias ficaram livres para realizar intervenções em três pontos do campus: Biblioteca Central, Praça do Ciclo Básico e no Pátio do Ciclo Básico II. Dessa forma, alunos, funcionários e aqueles que passaram por esses locais puderam quebrar a rotina e ouvir lindas histórias contadas por esses contadores.

Na tarde do dia 25, dez oficinas de contação de histórias atenderam 280 inscritos desejosos por aprender técnicas de encantamento e informações valiosas para atualizar ou ingressar no oficio. As oficinas são importantes na formação do contador de histórias.

Durante o encontro, foram sorteados livros ofertados pela Editora Unicamp. Os visitantes também puderam apreciar a linda exposição de arte näiff da artista plástica Eliete Tordin no piso térreo da Biblioteca Central da Unicamp.

Para encerrar com chave de ouro, a arena do SESC Campinas foi palco para a maratona de 6 horas de atividades ininterruptas para um público de mais de 400 pessoas desde as 10 horas da manhã do sábado, dia 26 de agosto. Sob o comando de José Bocca, os contadores convidados e o público presente, fizeram parte da história do 1º Encontro Nacional de Contadores de Histórias da Unicamp.

O evento já está sendo aguardado para o ano de 2018 pois, segundo opinião de muitos participantes, há muito tempo já havia a necessidade de um encontro como este em nossa região. Muitos profissionais querem ou já estão desenvolvendo projetos em escolas e cidades, mas lhes faltam o conhecimento e embasamento necessário, assim como pertencer ao universo dos contadores de história.